A posição da Sonangol na Galp é mesmo para vender. A garantia é do presidente angolano, João Lourenço. A expectativa da saída da petrolífera estatal angolana da Galp pode “apimentar” o “ângulo especulativo” das ações da empresa portuguesa, segundo os analistas do BPI. E têm surgido notícias a dar já conta do interesse de outras grandes petrolíferas internacionais em ficar com a participação na empresa portuguesa.
João Lourenço indicou, numa entrevista ao Expresso, que a tendência é de vender a posição na petrolífera portuguesa. “É verdade que está dentro do seu core business, mas não deixa de ser uma dispersão e, por esta razão e porque a tendência é esta, é muito pouco provável que a Sonangol se interesse em ter uma participação na Galp”, adiantou o presidente angolano. Sinalizou ainda a venda da participação no capital do BCP, embora explicasse que esses desinvestimentos levariam ainda tempo a ocorrer.
A Sonangol detém 60% da Esperaza Holding. Os restantes 40% pertencem a Isabel dos Santos. Aquela entidade tem 45% da Amorim Energia que, por sua vez, é dona de 33,34% da Galp. A posição da Esperaza na petrolífera portuguesa está avaliada em cerca de 1,6 mil milhões. À Sonangol caberá um valor de mil milhões de euros, tendo em conta os valores de mercado de sexta-feira.
Mas dada a participação indireta, para vender a posição na Galp, a Sonangol precisará do acordo dos outros parceiros e do investidor que pretender ficar com essa participação. Apesar disso, existirá interesse na participação da petrolífera angolana.
O Jornal de Negócios noticiou nesta semana que existiam duas petrolíferas interessadas em entrar na Galp. E o Jornal Económico detalhou que os bancos de investimento estavam já à procura de compradores e que a Sinopec era uma das candidatas. A petrolífera chinesa já fez negócios e parcerias com a Galp. Comprou, em 2020, uma fatia de 30% dos ativos da empresa portuguesa no Brasil.
Movimentações que aparentam comprovar a possibilidade deixada em aberto pelos analistas do BPI. Numa nota a investidores divulgada esta semana, referiram que “o presidente de Angola confirmou que a Galp é um ativo não-core, indiciando de alguma forma a intenção de vender a participação”. Explicaram que “caso se confirme, isso poderá apimentar o ângulo de M&A [fusões e aquisições] apesar de a especulação sobre as potenciais alterações na estrutura acionista da Amorim Energia já estarem no mercado há algum tempo”.
Além de estar em aberto a posição da Sonangol e o equilíbrio de forças na Amorim Energia, a maior acionista da Galp, também continua indefinido o que irá acontecer à posição do segundo maior acionista. O Estado, através da Parpública, detém 7,48% da petrolífera. E, segundo o BPI, “até agora não existe um timing para o potencial desinvestimento”.
Apesar da possibilidade de agitação na estrutura acionista poder trazer animação às ações, os títulos têm perdido valor devido à descida a pique da cotação do petróleo. Ainda assim, grandes gestoras americanas como a T. Rowe Price e a BlackRock têm aproveitado os preços mais baixos para reforçar no capital da petrolífera portuguesa.
Deixe um comentário