O presidente da Associação de Bares e Discotecas da Movida do Porto disse esta quinta-feira não fazer “qualquer sentido” encerrar discotecas à uma da manhã, mas considera haver “luz ao fundo do túnel” com os bares abertos até à meia-noite.
“Permitir admissões até às 24:00 e trabalhar até à 01:00 é uma primeira luz que temos ao fundo do túnel e portanto, nesse sentido, vemos como algo positivo. Em relação às discotecas, nem tanto. As discotecas fazerem admissões à meia-noite para encerrarem à 01:000 não faz qualquer tipo de sentido e mais uma vez vincamos que (…) principalmente as discotecas precisam de apoios muito musculados para ultrapassar esta crise”, declarou à Lusa o presidente da Associação de Bares e Discotecas da Movida do Porto, Miguel Camões.
Os bares e discotecas, encerrados em Portugal desde março devido à pandemia de covid-19, vão poder funcionar a partir de sábado, 1 de agosto, como cafés e pastelarias, anunciou o Governo.
A ministra esclareceu, em conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros, em Lisboa, que os bares e discotecas continuam encerrados, permitindo-se apenas que os que queiram funcionar como cafés e pastelarias o possam fazer “sem alterar a sua atividade” oficialmente, como estava a acontecer.
“Se e quando queiram funcionar numa outra categoria que existe e tem semelhanças do ponto de vista da organização dos espaços, podem fazê-lo sem alterar a sua atividade”, referiu.
Os bares e discotecas que optem por esta possibilidade podem funcionar até às 20:00 na Área Metropolitana de Lisboa e até às 01:00 (com limite de entrada às 24:00) no resto do território continental, como a restauração.
Apesar do plano de desconfinamento chegar “tarde” e não atingir de forma positiva todo o setor, o presidente da Associação de Bares de Discotecas da Movida do Porto afirmou que o setor está satisfeito por após “cinco meses” o Governo ter “quebrado o silêncio” e ter tomado uma posição no contexto de pandemia.
“Numa primeira fase ficámos muito contentes por esta quebra de silêncio por parte do Governo. Há cinco meses que estávamos encerrados e não tínhamos qualquer tipo de notícia e, portanto, ficámos contentes por, finalmente, termos posições do Governo em relação ao nosso setor”.
Os empresários da noite do Porto manifestaram-se no passado dia 6 de junho na Baixa do Porto, junto às Galerias de Paris, para reivindicar a abertura do setor que estava em crise.
Miguel Camões, que representa quase 30 bares e discotecas do Porto, já tinha na altura pedido ao Governo um plano de reabertura para o setor a iniciar a partir de 15 de junho, mas só hoje foi decidido em Conselho de Ministros.
As empresas do setor de diversão noturna têm ficado de fora das diferentes etapas do plano de desconfinamento no âmbito da pandemia da covid-19, tendo o primeiro-ministro justificado anteriormente esta decisão com a impossibilidade de afastamento físico nestes espaços.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 667 mil mortos e infetou mais de 17 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 1.727 pessoas das 50.868 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.
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