A Associação Portuguesa de Bancos (APB) disse esta quarta-feira no parlamento que não é o crédito bancário que está a fomentar o dinamismo do mercado imobiliário e considerou que não é preocupante o crescimento do crédito ao consumo.
Numa audição na Comissão de Orçamento e Finanças, a diretora-geral da APB, Catarina Cardoso, considerou que há fatores que mitigam a preocupação com o aumento do crédito ao consumo, nomeadamente o que facto de as novas operações serem feitas sobretudo por novos clientes, ou seja, “não significa novo endividamento de famílias já endividadas”, e a importância do crédito automóvel dentro do crédito ao consumo, o que significa que o financiamento está a ser usado para bens duradouros.
A responsável considerou ainda que, apesar do aumento, o crédito ao consumo ainda está em valores anteriores à crise: “Não é isso que nos move porque o que se passava era preocupante, mas é um facto a relevar”, afirmou.
Em novembro de 2018, últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal, o total de crédito concedido pelos bancos para bens de consumo era de 26.166 milhões de euros, mais 27 milhões face a outubro e um acréscimo de 1.207 milhões de euros em relação ao mesmo mês de 2017.
O crescimento do ‘stock’ de crédito ao consumo contrasta com o ‘stock’ do crédito à habitação, que tem vindo a diminuir apesar do aumento das novas operações, uma vez que há créditos à habitação que vencem e outros que são pagos antecipadamente pelos clientes.
Sobre a dinâmica do mercado de compra e venda de casas, a diretora-geral da APB considerou aos deputados que “não é o recurso ao crédito que está a fomentar a dinâmica observada nas vendas de alojamento”, uma vez que em 2010 65% do dinheiro usado para comprar casa vinha do crédito bancário, enquanto os últimos dados apontam para apenas 40%.
O dinamismo, afirmou, é justificado pelo turismo e pelas compras de investidores não residentes.
Sobre o aumento dos preços no mercado habitacional, considerou que ainda se está longe das dinâmicas apresentadas em outros países e que aí “não há um fator de preocupação”.
Já o presidente da APB, Faria de Oliveira, destacou na audição na Comissão de Orçamento e Finanças a falta de poupança das famílias portuguesas, com a taxa de poupança a “atingir valores historicamente baixos”, considerando que o Estado tem “importantes opções a fazer tanto no que respeita à mobilização dos cidadãos e empresas para a poupança e à sua responsabilização em relação ao endividamento”.
O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos mostrou-se ainda preocupado com a pouca existência de capital em Portugal o que tem impacto nos investimentos.
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