
Entre alertas de falsos descontos e o aumento do movimento nas lojas tradicionais, a Black Friday mantém-se como uma das datas mais marcantes do consumo em Portugal, antecipando compras de Natal e gerando fortes expectativas no setor.
A DECO avisa que muitos descontos continuam a ser artificiais e que o consumidor enfrenta cada vez mais dificuldade em perceber o preço real. No Porto, os comerciantes garantem que a Black Friday já está plenamente consolidada e impulsiona o comércio local.
A Black Friday chega novamente com milhares de campanhas, mas a abundância de promoções não significa que todas sejam verdadeiras. A coordenadora do gabinete jurídico da DECO, Ana Sofia Ferreira, garante à Renascença que há cada vez mais dificuldade em distinguir entre descontos reais e preços artificialmente inflacionados.
“As promoções são tantas e tão constantes que é cada vez mais difícil ao consumidor saber qual é o preço real”, afirma, lembrando que muitos comerciantes “sobem preços nas semanas anteriores” para “criar reduções fictícias” durante a Black Friday.
A responsável reforça que a lei exige a apresentação do preço mais baixo dos últimos 30 dias, mas reconhece que “a fiscalização não acompanha todo o crescimento das campanhas”, abrindo espaço a abusos e práticas enganosas. Com o aumento das compras online, acrescenta que surgem novos riscos: “há sites falsos, anúncios fraudulentos e esquemas que imitam grandes marcas”.
Se, para a DECO, a época é marcada por confusão nos preços, no Porto o cenário é de entusiasmo e movimento crescente. O presidente da Associação de Comerciantes do Porto (ACP), Rubens Carvalho, sublinha que a Black Friday ganhou peso ao longo dos últimos anos.
“A Black Friday já é um dos pontos mais altos do ano no comércio do Porto e está cada vez mais consolidada”, afirma à Renascença.
Segundo o dirigente, o aumento do movimento nesta altura é claro, mesmo que não alcance o pico dos dias imediatamente anteriores ao Natal. “Tem havido uma subida consistente e sólida. Muitos clientes aproveitam esta altura para adiantar compras para o Natal”, explica.
Rubens Carvalho destaca ainda que, apesar da força das grandes superfícies e das plataformas online, os consumidores continuam a valorizar o comércio tradicional.
“Nas grandes cidades, como o Porto e Lisboa, continua a haver uma preferência pelas lojas do comércio local”*, afirma. Para o responsável, essa escolha está ligada a uma experiência mais próxima e diferenciada: “Já se conhece a pessoa, a família, as preferências… até o cuidado do embrulho faz diferença. O atendimento é mais personalizado e isso pesa muito.”
Este atendimento de proximidade, diz o dirigente, é também a forma de competir com as grandes cadeias e com o mercado digital.
Apesar da popularidade da Black Friday, a ACP lembra que o período exige rigor.
“Nos últimos 30 dias tem de haver comprovação de que existe uma descida do preço”, sublinha Rubens Carvalho. O dirigente reconhece que nem todos cumprem essas regras, mas assegura que existe “um esforço de sensibilização” dentro da própria comunidade de comerciantes.
Além disso, destaca o crescimento de lojas tradicionais nas plataformas digitais, apoiadas por programas como o “Acelerar o Norte”, que permitem testar modelos de venda online sem grandes custos para os negócios mais pequenos.
Assim, a Black Friday vive entre dois mundos: o da precaução, defendido pela DECO, e o do otimismo, sentido no comércio portuense. Para uns, é um terreno fértil para práticas enganosas; para outros, uma oportunidade essencial para impulsionar as vendas e reforçar a relação com os clientes.











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