//Bolsa americana perde 5,4 biliões após tarifas de Trump. Risco de recessão “está em cima da mesa”

Bolsa americana perde 5,4 biliões após tarifas de Trump. Risco de recessão “está em cima da mesa”

Os principais índices bolsistas dos Estados Unidos perderam 5,4 biliões de dólares em dois dias (4,8 biliões de euros), desde que Donald Trump declarou uma guerra comercial e uma nova onda de tarifas. Em declarações à Renascença, o economista e analista de mercados Filipe Garcia admite que o risco de uma recessão está em cima da mesa.

Wall Street terminou a semana a perder mais de 5%. São as consequências das taxas aplicadas pelo Presidente norte-americano aos parceiros comerciais internacionais.

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Nos últimos dois dias, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq registaram as maiores quedas desde a pandemia de covid-19.

Na quinta e na sexta-feira, o Dow Jones caiu 9,3%, o S&P 500 10,5% e o Nasdaq 11,4%.

As empresas cotadas em bolsa perderam biliões de dólares desde que o Presidente norte-americano anunciou uma vaga de tarifas. As empresas tecnológicas estão a ser penalizadas. A Nvidia caiu 7,3%, a Apple 7,3%, a Meta 5%, a Amazon 4%, a Microsoft 3,5% e a Alphabet de 3,2%.

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Em Portugal, o índice PSI perdeu 4,75% esta sexta-feira, seguindo a tendência das principais praças europeias.

No Reino Unido, o FTSE 100 sofreu a maior quebra diária em cinco anos, desde a pandemia (4,95%). Na Alemanha o DAX perdeu 4,54%, em Espanha o Ibex35 fechou a perder 5,83% e o CAC francês 4,26%.

Outra consequência da declaração de Trump é no petróleo. O preço do Brent, que serve de referência para a Europa, caiu 6,5% esta sexta-feira, para 65,58 dólares por barril, o valor mais baixo em três anos, indica o jornal Financial Times.

O índice de petróleo dos EUA, desceu 7,4%, para 61,99 dólares por barril, abaixo do preço que muitos produtores precisam para atingir o ponto de equilíbrio.

Recessão “está em cima da mesa”

As tarifas não foram uma surpresa dado que tinham dia e hora marcados para serem conhecidas, mas o mercado não gostou da dimensão do anúncio do Presidente dos Estados Unidos. Por isso, as bolsas estão em queda, diz à Renascença o economista e analista de mercados Filipe Garcia.

“O mercado não gostou da dimensão das tarifas, da forma como elas foram calculadas, da forma como impactam a China com uma tarifa total de 54%, abrindo espaço a uma retaliação e a um escalar da guerra comercial. É isso que está a acontecer. Fundamentalmente, não gostaram do facto de aumentar muito a probabilidade de uma desaceleração económica global ou mesmo uma recessão. E é por isso que os negócios estão a ajustar o seu valor e por isso é que as bolsas estão a cair.”

Filipe Garcia acredita que este impacto não seria esperado pela administração norte-americana.

Os principais índices europeus fecharam a semana a registar pesadas perdas. Também as bolsas americanas afundam, com o dólar a desvalorizar quase 1%. Ainda assim, Filipe Garcia lembra que os níveis ainda estão acima daqueles registados em agosto.

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Perante este cenário, o economista diz que ainda há o risco de recessão, em especial para o mercado americano.

“Eu acho que esse é um risco que está em cima da mesa, sobretudo para os Estados Unidos. Aquilo que me parece mais provável é que seja o consumidor e as empresas americanas os mais penalizados por esta situação. É evidente que, se tivermos uma recessão muito forte nos Estados Unidos, é muito difícil que isso não contamine o resto da economia mundial. Nesse sentido, é obviamente uma situação perigosa”, alerta.

Filipe Garcia entende que deveria ser dado um sinal de acalmia para os mercados, a partir dos Estados Unidos ou da China.

“Acho que é preciso alguma coisa para acalmar os mercados e que terá de partir do sítio de onde também a situação se desencadeou. Portanto, parece-me que seria necessário algum tipo de intervenção, de atuação, de discurso, no sentido de tornar estas nuvens menos negras do que aquilo que são agora.”

O analista de mercados recorda que tem sido prática de Donald Trump “iniciar processos negociais e depois também com alguma rapidez mudar a bitola daquilo que está a fazer”.

“Acho que não vai ser possível voltar atrás de uma forma muito incisiva, mas, francamente, estou à espera que durante o fim de semana surjam algumas palavras de conforto para tentar mitigar este pessimismo que está instalado”, sublinha.

Trump pressiona Reserva Federal

O Presidente norte-americano pediu esta sexta-feira ao governador da Reserva Federal para reduzir as taxas de juro.

“Este seria o momento perfeito para o governador da Reserva Federal, Jerome Powell, cortar as taxas de juro”, escreveu Donald Trump, numa mensagem na rede Truth Social, alegando que a inflação caiu nos Estados Unidos desde que regressou ao poder, em janeiro.

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O Presidente dos EUA aproveitou ainda para atacar Powell, repetindo críticas de que não respondia com a rapidez necessária aos problemas do país. “Tem estado sempre atrasado. Mas agora pode mudar a imagem”, escreveu Trump.

Retaliação chinesa

Em resposta a Donald Trump, a China anunciou esta sexta-feira uma tarifa de 34% sobre as importações norte-americanas.

A tarifa de 34% anunciada por Pequim soma-se aos 20% já em vigor, elevando o total para 54%.

O Ministério do Comércio em Pequim disse também que vai impor mais controlos de exportação de terras raras, que são materiais utilizados em produtos de alta tecnologia, como semicondutores e baterias de veículos elétricos.

A China também remeteu para a Organização Mundial do Comércio (OMC) a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos às suas exportações, tendo apresentado queixa no mecanismo de resolução de litígios.

[notícia atualizada às 23h54, com declarações do economista e analista de mercados Filipe Garcia]

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