//CaetanoBus confirma despedimento de 45 trabalhadores em Gaia

CaetanoBus confirma despedimento de 45 trabalhadores em Gaia

A CaetanoBus confirmou à Lusa estar desde segunda-feira em processo de despedimento coletivo de 45 trabalhadores na unidade de Vila Nova de Gaia, mas admitiu que parte pode vir a ser realocada noutras empresas do Grupo Salvador Caetano.

“A CaetanoBus está a implementar uma reestruturação interna e uma redefinição do seu modelo de negócio, com o objetivo de fortalecer a sua competitividade e garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo. Esta reestruturação inclui a redução de postos de trabalho, um processo necessário para ajustar a empresa às novas realidades do mercado”, respondeu a empresa sediada em Vila Nova de Gaia.

Nos esclarecimentos enviados à Lusa, na sequência da pergunta hoje endereçada ao Governo pelo PCP sobre o despedimento de 45 trabalhadores na empresa, a CaetanoBus alega que, nos “últimos anos, tem enfrentado um contexto de mercado global cada vez mais desafiador”.

“A crescente pressão sobre as margens, devido ao aumento da concorrência e ao aumento dos custos de materiais, tem comprometido a sua competitividade, sobretudo no segmento dos veículos urbanos”, prossegue a argumentação da empresa que assinala ter “tomado medidas para minimizar os impactos desta decisão e proteger os postos de trabalho”.

Neste particular, referem que, desde o segundo semestre de 2024, têm “um processo de reintegração de colaboradores noutras empresas do Grupo Salvador Caetano ou em novas atividades dentro da CaetanoBus”, ao mesmo tempo que desenvolvem “programas de requalificação para capacitar os colaboradores com novas competências alinhadas à evolução do mercado, permitindo a sua integração em outras áreas do grupo”.

Esta reestruturação permitirá à empresa “concentrar as suas competências diferenciadoras em I&D (Inovação & Desenvolvimento) e na produção de modelos de aeroporto e turismo na unidade de Vila Nova de Gaia”, aliado ao facto de que a “transferência dos acabamentos finais e do controlo de qualidade do segmento urbano para a unidade de Ovar permitirá um melhor foco no atendimento às exigências do cliente final”.

A empresa estima ter o despedimento coletivo concluído “até final de maio”, enfatizando “desenvolver todos os esforços para reduzir o número de colaboradores” que serão despedidos.

Questionada pela Lusa sobre quantos destes colaboradores poderão vir a ser realocados, a empresa respondeu não ter “neste momento visibilidade do número específico”, revelando, contudo, que desde novembro de 2024 integraram “25 colaboradores noutras empresas do grupo, evitando assim um número maior de colaboradores incluídos neste despedimento coletivo”.

PCP quer respostas do Governo

Horas antes, o PCP questionou o Governo sobre o alegado despedimento, procurando saber, também, se há risco de deslocalização para o estrangeiro e dívidas da empresa à Segurança Social.

Na carta dirigida ao ministro da Economia e assinada pelo deputado comunista Alfredo Maia lê-se que a referida decisão “poderá ter como principal objetivo a redução de custos, permitindo ao grupo manter a sua atividade sem os compromissos laborais com estes trabalhadores, ao mesmo tempo que continua a beneficiar de apoios do erário público”.

Assinalando que o despedimento coletivo “coloca em risco a estabilidade de 45 trabalhadores e das suas famílias, gerando um impacto social e económico significativo”, o PCP sublinha que a CaetanoBus dedica-se ao fabrico de carroçarias para autocarros e integra um dos principais grupos industriais do país, o Grupo Salvador Caetano.

Para o PCP, a situação torna-se “ainda mais preocupante num setor altamente rentável, onde os lucros das empresas atingiram valores recorde nos últimos anos”. .

“Só em 2024, foram produzidos em Portugal 332.546 veículos, um aumento de 4,5% face a 2023, e foram colocados em circulação 249.269 veículos, mais 5,6% do que no ano anterior”, sustenta o partido, sublinhando que embora “a elevada qualificação dos trabalhadores do setor automóvel, persistem (…) baixos salários, intensificação dos ritmos de trabalho, doenças profissionais e o impacto do trabalho por turnos”.

E prossegue: “não estamos perante uma crise do setor, mas sim perante uma tentativa de contenção salarial, aumento da exploração laboral e chantagem com ameaças de despedimentos e deslocalizações”.

Perante isto, o PCP pergunta aos Ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Economia, que informações possui o Governo sobre a situação descrita e que medidas irá tomar para garantir a manutenção dos postos de trabalho e a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores afetados.

Na carta, o deputado pergunta também de que forma pretende o Governo impedir a deslocalização destes serviços para o estrangeiro, protegendo trabalhadores altamente qualificados, essenciais ao desenvolvimento do setor e do país e que acompanhamento tem sido feito por estes ministérios em relação à empresa.

No documento, o PCP questiona ainda se a empresa tem dívidas à Segurança Social, solicitando, em caso afirmativo, informação detalhada, bem como que apoios públicos, nacionais e comunitários, foram atribuídos a empresas do Grupo Salvador Caetano nos últimos anos.

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