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Já terminou o prazo legal do Governo para convocar a reunião com os sindicatos para a negociação suplementar, a data limite era a passada sexta-feira e a Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap) não encontra explicação para esta ausência de diálogo do Ministério das Finanças.
José Abraão, dirigente da FESAP, diz mesmo que não consegue perceber “que negociação é esta”, tendo em conta que “o ministro das Finanças disse na semana passada no Parlamento que ia reunir-se com os sindicatos” e que até agora “não aconteceu nada”.
O dirigente sindical conclui que, se o ministro não está a negociar com os sindicatos, então deve haver um “qualquer equívoco – se calhar deve ter recebido ou deve ter negociado com algum sindicato da União Europeia ou de qualquer país da União Europeia”.
Na lista de queixas da Fesap está o facto de o Governo ter anunciado aumentos para os trabalhadores da função pública e até agora não haver qualquer proposta, “a par de outras dúvidas que subsistem, que não estão no Orçamento e que deviam estar, como por exemplo a mobilidade intercarreiras”.
Não há Centeno, mas há Parlamento
Ainda à espera de resposta do Governo para reunião, os sindicatos já conseguiram que o Parlamento os ouvisse. Vai ser esta semana, na tarde de quinta-feira: está marcada uma reunião com os deputados da comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFMA), com José Abraão a desabafar que “a proposta de orçamento para a administração pública é de tal maneira pobre que se justifica fazer todas as tentativas por intermédio do parlamento, não havendo reuniões marcadas com a administração pública”.
Nestas declarações à Renascença, José Abraão diz que está a assistir-se a “um desrespeito enorme no que diz respeito à lei da negociação da administração pública”, acrescentando que “é quase que aquela velha história de olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço – é o que faz o Governo”, ou seja “diz que fomenta a negociação coletiva e depois falha como o maior empregador deste país”.
Além do aumento de salários na função pública e a mobilidade intercarreiras, a Fesap considera que “há um conjunto imenso de questões que ainda não foram respondidas” e que “é importante saber se o subsídio de refeição vai ser aumentado, se o Governo vai repor os 25 dias de férias que nos foram retirados pela troika”.
José Abraão diz mesmo que isto parece quase como uma brincadeira de mau gosto, não há proposta para negociar com os sindicatos, o ministro das Finanças diz que se reúne com os sindicatos sem haver reuniões, com o dirigente da Fesap a concluir que “vai ser um outono quentinho”.
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