O ministro do Ambiente e Ação Climática afirmou durante a conferência de imprensa após o Conselho de Ministros que as críticas do líder do PSD à estratégia do Governo para o hidrogénio partem de “desconhecimento ou mau aconselhamento”, atribuindo-lhe “erros crassos” de raciocínio.
No debate do Estado da Nação, na sexta-feira passada, Rui Rio classificou o investimento na produção de hidrogénio como “projeto extremamente perigoso”, considerando que o país não tem “condições para aventuras nem para ideias megalómanas”.
“As declarações do dr. Rui Rio têm por base desconhecimento ou mau aconselhamento”, afirmou João Pedro Matos Fernandes na conferência de imprensa após a aprovação em Conselho de Ministros da estratégia, concluído o período de consulta pública.
O ministro salientou que “o investimento na produção de hidrogénio verde é privado”, mas, como há fundos disponíveis para investir, “é normal que exista um apoio público a esses mesmos investimentos”.
O líder do PSD questionou que, na estratégia nacional sobre o hidrogénio, o Governo preveja investir “sete mil milhões de euros”, valor próximo do da Alemanha, nove mil milhões de euros.
Matos Fernandes afirmou que há “factos errados” e “erros crassos” nas afirmações de Rui Rio “e daqueles que o acompanham” e apontou que “os nove mil milhões na Alemanha são a dimensão do apoio público ao investimento”, que em Portugal são “900 milhões” de um total de sete mil milhões estimados para fazer arrancar este setor.
Tal como já havia avançado em abril, em entrevista do Jornal Económico, o ministro defendeu novamente que o preço do hidrogénio português estará próximo do preço do gás natural. João Pedro Matos Fernandes afirmou que “a consulta pública mostrou que a indústria química é o grande cliente do hidrogénio”, cuja estratégia prevê um investimento de cerca de sete mil milhões de euros, com a meta de aquele gás representar 5% do consumo final de energia em 2030.
O ministro afirmou que todos os apoios públicos aplicáveis serão concedidos por “candidatura pública e concurso no âmbito do Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) ou do programa que lhe suceda no próximo quadro comunitário de apoio”.
Os apoios ao longo do tempo servirão para “garantir que não há nenhum prejuízo para os clientes e que o hidrogénio terá um preço em tudo comparável ao gás natural”.
“Serão atribuídos com mecanismos de concorrência e baseados nos leilões semelhantes” ao que hoje acontece para a energia solar, acrescentou Matos Fernandes.
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