//Imobiliário. “Este ano tem tudo para ser o segundo melhor de sempre”

Imobiliário. “Este ano tem tudo para ser o segundo melhor de sempre”

Depois de 2018 ter sido o ano de todos os recordes na venda de imóveis, 2019 vai morder-lhe os calcanhares. E só não ultrapassa os máximos históricos porque não há oferta que chegue.

Segundo a análise da consultora CBRE às tendências do mercado para 2019, o ano que ainda agora começou tem condições para ser o segundo melhor de sempre. Até ao final de junho, as vendas deverão chegar aos mil milhões de euros, estima a consultora. No final de 2019 o valor deverá oscilar entre os dois mil e os 2,5 mil milhões de euros.

Em 2018, o imobiliário de rendimento tocou na marca dos 3,5 mil milhões de euros, mais 54% do que no ano anterior. A média dos últimos 15 anos foi de 1,1 mil milhões de euros.

“Quando olhamos para o que já foi vendido, no início do ano, ao que já está em comercialização e aquilo que sabemos que está em off market, é fácil que no final do primeiro semestre o volume de investimento chegue ou passe os mil milhões de euros, o que faria deste um ano melhor do que 2018. A única razão pela qual 2019 não vai ser recorde é que, apesar de haver promoção já bastante forte de produto core, esse produto só vai ser vendido em 2020 ou 2021″, explicou Nuno Nunes, responsável pela área de capital markets da CBRE, durante uma conferência que teve lugar esta segunda-feira.

O responsável adiantou ainda que além deste montante, “há ainda a esta data cerca de 500 milhões de euros que poderão vir a mercado ainda no primeiro semestre”. A própria CBRE, revelou Nuno Nunes, vai lançar nas próximas semanas três portfolios de imóveis para venda.

De acordo com as previsões da CBRE, em 2019 o setor “estrela” do investimento será a hotelaria, “onde já há várias operações superiores a 100 milhões de euros no mercado, uma delas muito acima dos 100 milhões”.

O responsável adiantou ainda que os setores do retalho e escritórios “também vão ter uma performance elevada”, estando na calha “algumas transações acima dos 100 milhões de euros e várias acima dos 50 milhões de euros”.

A CBRE prevê também que 2019 “ainda não vai ser o ano do setor alternativo, apesar de todos os produtos que já estão em marcha, como residências de estudantes, hospitais e setor residencial para arrendamento”.

Ainda assim há motivos para otimismo, sublinhou o especialista. Num inquérito feito pela consultora a investidores, 38% revelou ter interesse em investir na promoção imobiliária, quando “há cerca de 5 anos nem olhariam para o mercado de desenvolvimento”.

Menos animadores são os números do investimento made in Portugal, que em 2018 se manteve “muito abaixo” do nível de 2007, ano em que se registou o último pico do mercado. Nesse ano, o investimento português em imobiliário era mais de 50% do total. Em 2018 o valor fixou-se pelos 9% do total investido, tendo havido inclusive uma quebra face a 2017, quando os investidores nacionais representaram 23% do todo.

A CBRE estima que o recém aprovado regime das Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária (SIGI), conhecidos lá fora como REITs, vão dar um novo impulso ao investimento doméstico, mas só se começará a notar em 2020.

Já as taxas de rentabilidade do investimento em imobiliário devem manter-se estáveis, diz a CBRE. Os escritórios e comércio de rua prime devem continuar a render cerca de 4,5%, pouco menos que os centros comerciais (4,75%).

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