“Os responsáveis por o nosso país ter tarifas de eletricidade tão altas são os políticos. São os senhores!” A acusação foi dirigida por Manuel Pinho aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito às Rendas Excessivas.
No final da audição, esta quinta-feira, o antigo ministro da Economia pediu a palavra para lamentar o facto de não terem sido discutidas as matérias que “interessam” ao consumidor. “Não se falou aqui uma vez sobre o custo das tarifas e eu creio que isto é indicativo. Quer-se falar de questões laterais e não sobre o que o consumidor tem que pagar ao final do mês”, declarou o antigo governante perante os deputados da Comissão.
Manuel Pinho prosseguiu o raciocínio: “tudo aquilo que me parece relevante em termos de política energética foi aqui evitado”, atirando uma conclusão. “Não nos admiremos depois com os movimentos sociais descontrolados. Porque o povo percebe quem está a falar dos assuntos que lhe interessam ou quem está a fazer uma história.”
A declaração do antigo ministro levou o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito a esclarecer que “já muito se questionou sobre a fatura da eletricidade e sabemos muito bem o tipo de rendas que estão incluídas na fatura de eletricidade e estamos a discutir a origem delas”, afirmou Emídio Guerreiro, lembrando que essa era também uma das razões da presença do antigo governante.
A veracidade das declarações ao Tribunal Constitucional
O antigo ministro da Economia entre 2005 e 2009 avisou logo no início da audição que se remeteria ao silêncio sobre matérias em investigação, incluindo uma alegada avença paga pelo BES no período em que foi governante.
Os deputados questionaram Manuel Pinho, por diversas vezes, sobre esses alegados recebimentos mas não obtiveram resposta. O deputado do Bloco de Esquerda perguntou depois ao ex-ministro sobre a veracidade das declarações de rendimento e património que entregou ao Tribunal Constitucional. “Foi sempre verdadeiro a preencher ao Tribunal Constitucional”, questionou o deputado Jorge Costa. Manuel Pinho respondeu que “é uma das questões que estão incluídas na minha declaração inicial”, remetendo-se ao silêncio.
E o diálogo prosseguiu: “Mas não tem a certeza?”, insistiu Jorge Costa. “Não é uma questão de certeza”, respondeu Pinho que afirmou “compreender a pergunta”, mas pediu ao deputado que também compreendesse a resposta.
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