//Ouro. A aposta dos investidores para navegar onda de tensão EUA e Irão

Ouro. A aposta dos investidores para navegar onda de tensão EUA e Irão

O ouro atingiu seu valor mais elevado em seis anos depois do ataque áereo dos Estados Unidos a uma das figuras militares mais poderosos do Irão, o general Qassem Soleimani, aumentando as tensões geopolíticas na região que fornece cerca de 25% do petróleo a nível mundial. O Irão promete retaliar pela morte de uma das figuras do regime e os mercados foram rápidos a reagir.

Na sexta-feira, as principais bolsas mundiais fecharam em queda, o preço do Brent passou a roçar os 70 dólares por barril – a maior subida desde o ataque de drones a uma refinaria na Arábia Saudita ter retirado repentinamente do mercado cerca de 5% do fornecimento do petróleo mundial – e os investidores buscaram refúgio em ativos ‘sólidos’: ouro.

O ouro é um dos ativos mais procurados pelos investidores em alturas de imprevisibilidade. A escassez e o valor histórico do metal torna-o num bem procurado em momentos de elevada tensão nos mercados. Ainda antes do ataque americano, a 26 de dezembro, o metal precioso tinha ultrapassado a barreira dos 1,500 dólares/onça, tendo terminado o ano a subir 18,8%, impulsionado por um arrefecimento da economia mundial e um dólar enfraquecido.

O escalar de tensão entre os Estados Unidos e o Irão deu novo incentivo ao investimento neste ativo: no final da semana, a onça de ouro subiu cerca de 1,6%, para 1,553,52 dólares, segundo a Market Insider.

Uma subida que poderá atingir os 1,600 dólares/onça este ano, estimam o Goldman Sachs, o Citigroup e o UBS, diz a Bloomberg.

E não foi o único ativo a ver a subir os preços na negociação. Ativos como obrigações de tesouro, platina ou prata negociaram em alta na sequência do ataque norte-americano.

“Uma guerra aberta entre os Estados Unidos e o Irão é improvável, embora tenhamos em consideração de que nada une mais um país do que uma ameaça externa, e o Governo iraniano é neste momento extremamente impopular”, diz Ian Shepherdson, economista da Pantheon Macroeconomics, citado pela Market Insider. “A infraestrutura do sector petrolífero é, todavia, um alvo provável em caso de uma escalada do conflito”.

Impacto nos preços do petróleo

Os maiores receios incidem sobre um potencial disparo dos preços do petróleo. Embora as sanções dos Estados Unidos ao Irão tenham reduzido as exportações do Irão, outros grandes produtores mundiais na região, como Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos ou Iraque, podem ser afetados pela instabilidade.

“A capacidade do Irão de afetar os Estados Unidos reside essencialmente dentro do teatro do Médio Oriente”, disse Neil Beveridge, um analista sénior na consultora Bernstein, citado pelo The New York Times. “O Iraque e a Arábia Saudita são alvos óbvios”.

O Estreito de Ormuz irá centrar as preocupações. “Cerca de 21 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo Estreito de Ormuz – cerca de um quinto da procura global. Caso o Estreito ficasse paralisado pela geopolítica, os preços do petróleo poderiam sofrer fortes oscilações”, lembra André Pires, analista da corretora XTB.

“Quando as refinarias sauditas foram atacadas, foram perdidos cerca de 4 milhões de barris de produção. Em resposta, o petróleo subiu 15% em apenas um dia! O Estreito é usado por alguns dos maiores produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Dito isto, o bloqueio do Estreito pode paralisar o mercado global de petróleo”, lembra o analista, numa nota de análise.

Dada a importância deste canal de transporte, “se o Estreito fosse bloqueado, deve-se esperar interrupções nas entregas de petróleo. Em tal situação, o preço do petróleo poderia subir acima dos 100 dólares americanos por barril”.

“Os Estados Unidos podem pressionar o Irão a deixar o Estreito de Ormuz aberto, ameaçando impor sanções adicionais”, diz ainda. No entanto, ressalva o analista da XTB, “o Irão perdeu muitos contratados devido às sanções e o seu PIB encolheu cerca de 10% no ano passado. Isso significa que o Irão pode perder a paciência e desencadear outra “guerra” no mercado de petróleo. Esta não é uma boa notícia para a economia global, pois os custos de transporte e energia aumentariam.”

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