As bolsas estão sob forte pressão vendedora esta terça-feira devido ao aumento dos receios de uma deterioração do crescimento económico e nível global e em vésperas da provável quarta subida de taxas de juro nos EUA, em 2018.
Os mercados acionistas mundiais caminham para ter o pior ano desde 2008, quando se registou a crise financeira. O índice MCSI World desvaloriza 9% desde o início de 2018, superando a queda de 7,6% sofrida em 2011. Na Europa, o índice Stoxx 600 desliza 11,9% desde janeiro, uma queda maior do que a de 11,3% registada em 2011, quando se deu a crise de dívida na zona euro, de acordo com dados da Reuters.
Para o índice de ações português, o PSI-20, este é pior ano desde 2014, ao registar uma queda de 12%.
As ações europeias estão próximas do mínimo de dois anos e Wall Street desceu ontem ao mínimo de 14 meses. Também as bolsas asiáticas sofreram quedas.
A meio da sessão, as bolsas europeias tentam uma recuperação. O Stoxx 600 recua 0,1%. Em Lisboa, o PSI-20 avança 0,25%.
O comité de política monetária da Fed inicia esta terça-feira, em Washington, uma reunião de dois dias. Os futuros das taxas de juro indicam que há mais de 70% de hipóteses de sair da reunião uma quarta subida das taxas de juro este ano, segundo dados da Bloomberg.
O presidente dos EUA tem criticado a política de subida de taxas de juro da Fed por poder prejudicar o crescimento da economia. Em vésperas de uma nova decisão do banco central, Donald Trump lembrou que o dólar está muito forte e que não há inflação. O presidente pediu à Fed que aceite o crescimento económico.
“É incrível que com um dólar muito forte e virtualmente nenhuma inflação, o mundo a explodir à nossa volta, Paris a arder e a China em baixo, a Fed está mesmo a considerar outra subida da taxa de juro. Aceite a Vitória!”, escreveu Donald Trump na sua conta do Twitter.
Bancos como o Goldman Sachs e o J.P.Morgan antecipam que o crescimento da economia norte-americana vai abrandar para abaixo dos 2% no segundo semestre de 2019. Apesar disso, esperam que a Fed aumente quatro vezes as taxas de juro. Alguns economistas apontam já para um cenário de recessão, provavelmente em 2020, ano de eleições presidenciais nos EUA. Para analistas, a reeleição de Donald Trump pode estar nas mãos da Reserva Federal.
Os investidores vão estar atentos às declarações do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, para tirar pistas sobre novos aumentos nas taxas de juro em 2019.
Dado que a inflação nos EUA está controlada e visto que a Fed está ser pressionada pelo presidente dos EUA, se a Reserva Federal der sinais de abrandar a sua política de subida de taxas de juro, são motivos que “podem fazer reagir o mercado em alta”, segundo Carla Maia, corretora da XTB.
Também os preços do petróleo afundaram 4% hoje devido a um aumento dos stocks de ouro negro e produção recorde dos EUA e Rússia. O barril de Brent recuou 2,40 dólares para 57,20 dólares, o mínimo de 14 meses, segundo dados da Reuters.
Atualizada às 13H00 com recuperação dos índices europeus
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