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Os voos entre o Reino Unido e o aeroporto de Faro dispararam com a reabertura do corredor aéreo entre os dois países, a 17 de maio. Na primeira semana livre de restrições, foram registados 175 voos provenientes de terras britânicas, quase 30 vezes mais que sete dias antes, quando foram controladas seis ligações, revelou fonte oficial da NAV Portugal. O fim de semana foi o ponto alto deste desconfinamento aéreo. Domingo foi o dia de maior movimento, com a empresa responsável pelo controlo de tráfego aéreo no país a gerir 33 voos. Já sábado tinham sido registados 31 movimentos.
Este incremento na oferta entre os dois países fez-se também sentir no restante território nacional, embora seja clara a importância do Algarve nesta ponte aérea. Segundo dados da NAV Portugal, entre 17 e 23 de maio, verificaram-se 300 aterragens de aviões com origem no Reino Unido e com destino aos aeroportos portugueses, sendo que mais de metade se refere aos movimentos no aeroporto de Faro. Domingo foi também o dia de ‘pico’ a nível nacional, com um total de 57 voos. Nos sete dias anteriores, a empresa tinha controlado apenas 37 ligações. Apesar deste incremento exponencial, na semana equiparável de 2019 à da recente reabertura do corredor, a NAV registou 683 voos do Reino Unido para Portugal. A atipicidade do ano de 2020 (em maio, Portugal estava em confinamento) não permite comparações homólogas.
Um reinício
João Fernandes, presidente da Região do Turismo do Algarve (RTA), faz um balanço “muito positivo” desta primeira semana de reabertura das ligações aéreas com o principal mercado emissor de turistas para a região. “Tivemos uma constância da procura de britânicos durante a semana, com 17 voos diários, e no fim de semana a oferta foi intensificada, com a disponibilidade de oito mil lugares/dia”, disse. Segundo pôde apurar, “a taxa de ocupação dos voos está num bom nível para reinício de atividade”.
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Para o responsável, esta via verde foi um “balão de oxigénio” e teve “o efeito de mostrar que Portugal é um destino seguro também em mercados como a Alemanha, França ou Holanda”. E esse resultado está a traduzir-se num “nível de reservas que dá algum conforto para os meses de verão, embora ainda com muita margem de progressão”, sublinhou. Na sua opinião, “são bons valores para início de operação, um degrau para poder escalar os outros”.
O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, está também confiante. A integração de Portugal na lista verde do Reino Unido “teve um impacto muito positivo no aumento da procura no Algarve, designadamente para o período de verão” e permite acreditar que, “se tudo correr bem a nível sanitário, este verão será bastante melhor do que o do ano passado”, disse. Na sua opinião, a somar ao turista interno, será possível “contar com os mercados externos, designadamente o maior fornecedor que é o Reino Unido”.
Em 2019, os alojamentos turísticos oficiais do Algarve receberam 1,1 milhões de britânicos e desembarcam em Faro 2,1 milhões de passageiros oriundos do Reino Unido. Como frisou Elidérico Viegas, “pode perspetivar-se que será possível assistir a uma recuperação, mas não será igual a 2019”. E os números assim o dizem: as receitas de alojamento apresentam uma quebra superior a 90% no acumulado destes quatro primeiros meses de 2021. “Antes de 2023, não vale a pena pensarmos em regressar a níveis pré-pandémicos”, sublinhou.
O impacto da abertura da ponte aérea foi “notório e imediato” na operação da Vila Galé. Segundo o administrador Gonçalo Ribeiro de Almeida, “do total de reservas recebidas desde 7 de maio, cerca de 70% vieram do Reino Unido”. Os meses de junho e julho são os que registam mais procura – nesta época, o mercado britânico vale 25% do negócio do grupo português -, mas verifica-se também crescimento em setembro e outubro, altura que coincide com o início da temporada de golfe no Algarve.
Gonçalo Rebelo de Almeida acredita que “este verão poderá ser o início da retoma, embora ainda haja alguns desafios a enfrentar devido à incerteza da pandemia”. A taxa de ocupação prevista para junho no Algarve “está acima daquela com que fechámos em 2020, o que nos dá boas perspetivas para o arranque da época”.
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