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A CP vai receber mais 80,9 milhões de euros do Estado. O montante deve-se a um “acerto de contas” relativo às compensações do contrato de serviço público e cuja revisão foi aprovada pelo Conselho de Ministros nesta quinta-feira.
O comunicado refere que foi autorizada a despesa relativa à “alteração do valor máximo da compensação financeira a atribuir à CP – Comboios de Portugal pelo cumprimento das obrigações de serviço público de transporte ferroviário de passageiros, no período de 2020 a 2029”.
Em 2020, a transportadora teria a receber 88,1 milhões de euros de compensação pelo serviço público prestado, segundo o contrato. Só que o documento prevê que a CP receba compensações adicionais da tutela por causa de situações extraordinárias, como uma pandemia, que gerou fortes perdas.
Na primeira vaga, entre março e maio, o confinamento geral obrigou as pessoas a ficarem em casa mas os comboios continuaram a circular de norte a sul do país. Registaram-se perdas de 77 milhões de euros em quatro meses.
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Entre março e maio, a empresa registou prejuízos mensais de 22 milhões de euros: apesar da diminuição de 70% a 80% nos passageiros, a oferta da empresa nunca ficou abaixo dos 55% nos comboios de longo curso e de 75% nos serviços regionais e urbanos. Além disso, nunca houve funcionários em lay-off, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, nas transportadoras rodoviárias privadas. Em junho, apesar da recuperação da procura, sobretudo nos comboios urbanos à hora de ponta, a empresa registou prejuízos de 11 milhões de euros.
O “acerto de contas” agora definido “é relativo ao ano de 2020” e foi aprovado depois de a empresa ter apresentado o relatório e contas do ano passado, explicou ao Dinheiro Vivo fonte oficial do Ministério das Infraestruturas e Habitação, que tutela a CP em conjunto com o Ministério das Finanças.
Em 2020, a CP apresentou prejuízos de 95,4 milhões de euros.
Em dezembro de 2020, o Conselho de Ministros tinha aprovado uma autorização de despesa, no valor de 73,14 milhões de euros, para antecipar as perdas que a transportadora ferroviária tem sofrido por causa do novo coronavírus. O montante, contudo, não chegou a entrar nos cofres da empresa.
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