//Covid-19 pode ser incentivo à internacionalização de empresas portuguesas

Covid-19 pode ser incentivo à internacionalização de empresas portuguesas

O impacto negativo da Covid-19 na economia de Portugal e da União Europeia poderá representar um novo incentivo à internacionalização, embora com algumas nuances, considera a fintech Ebury, especializada em pagamentos internacionais e câmbio.

A empresa apresenta algumas sugestões para a gestão de risco nos mercados estrangeiros no período que se seguirá após a Covid-19. “Para as empresas exportadoras e importadoras, operar com países que partilham a mesma moeda, além de uma estrutura legal idêntica, também se traduz numa redução da sua exposição ao risco”, considera a Ebury. A empresa aponta que, tal como aconteceu com a crise de 2009, a contração económica de 2020 no mercado interno poderá levar algumas empresas portuguesas a procurarem oportunidades no mercado externo.

“O facto de a UE ser uma das áreas económicas mais afetadas pelo coronavírus, com uma contração que instituições como o BCE colocam entre -7,5% e -12% no cenário mais negativo, será um estímulo para as empresas diversificarem os seus mercados estrangeiros e focar-se em destinos mais distantes”.

Nesse novo mapa de oportunidades para as empresas nacionais, a fintech aponta alguns mercados específicos, como China, Japão e Coreia do Sul, com menor incidência da epidemia e com estruturas de produção que ficaram paralisadas por menos tempo, ou também dentro da região, o grupo de países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), que cresce mais de 5% desde o início de 2000. “Outra área de oportunidade é representada pela África Subsaariana, cujas projeções demográficas, projetos de integração económica e regional e planos de modernização institucional são interessantes incentivos para atrair negócios.”

Apesar de a diversificação de mercados oferecer às empresas oportunidade para aumentar as vendas e compensar, de alguma forma, os ciclos recessivos de determinados mercados, é aconselhável a adoção de algumas precauções. “A exposição a mercados que poderíamos descrever como exóticos deve levar as empresas a adotar uma série de precauções para amortecer ou controlar os riscos. Um desses riscos, não menos importante, está relacionado com as taxas de câmbio, um fator incontrolável para as empresas, na medida em que resulta de decisões ou eventos relacionados com a política, economia, tributação ou medidas monetárias adotadas pelos bancos centrais. Como as empresas tendem a ficar mais expostas a mercados fora da zona do euro, as suas margens ficarão mais expostas a esse fator.”

No caso das PMEs, que possuem menos recursos especializados em mercados estrangeiros, se protegerem do risco cambial, a Ebury aconselha “um bom planeamento dos pagamentos e cobranças que elas irão fazer ao longo do ano e tentar projetar a máxima previsibilidade sobre a taxa de câmbio na qual elas realizarão as suas operações.”

A fintech lembra que existe uma série de serviços financeiros especializados que oferecem soluções adaptadas às necessidades das PMEs em condições muito interessantes em termos de transparência, versatilidade e custo. Algumas das soluções incluem produtos específicos para cobrir o risco cambial, como o seguro de taxa de câmbio, por exemplo. “O seguro de taxa de câmbio é um produto simples e transparente, que gera 100% de certeza sobre a taxa de câmbio na qual as operações serão realizadas numa data acordada. Além disso, o custo da contratação deste seguro é um esforço perfeitamente aceitável para a empresa, em oposição ao risco que assumiria se não usasse esse instrumento de hedging.”

Outra alternativa é a de ordens de mercado, diz a fintech, referindo que estas “permitem que as negociações sejam executadas automaticamente com o objetivo de obter o melhor preço possível e aproveitar os picos de volatilidade de 24 horas. Como resultado, uma empresa pode fechar orçamentos relativos à receita com total precisão.”

As ordens de mercado consistem em fixar antecipadamente um preço ou limite desejado pelo qual alguém estaria disposto a vender ou comprar, tanto em transações spot como na contratação de um seguro de taxa de câmbio, por um período de tempo, dentro do qual, no caso de atingir esse preço a posição seria fechada e a transação executada.

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