A construtora automóvel Ford está a preparar-se para eliminar milhares de empregos nas unidades que tem na Europa, avança a agência Bloomberg. Esta medida insere-se na estratégia de reestruturação que a empresa tem em curso para tentar regressar à rentabilidade. Não está descartada a possibilidade de serem encerradas unidades na Europa.
A construtora automóvel tem vindo a enfrentar algumas dificuldades devido ao facto de vários dos seus modelos não serem dos mais modernos. Além disso, o mercado britânico, o maior na Europa para a Ford, está em contração devido aos efeitos que a saída do Reino Unido da União Europeia estão a ter sobre a economia. O Brexit representa, aliás, um grande desafio para as fabricantes europeias devido aos laços que ligam a economia britânica com as restantes do continente.
A Ford tem cerca de 54 mil funcionários no Velho Continente espalhados por 15 fábricas, presentes sobretudo na Alemanha, Reino Unido e Espanha. Não foram dadas indicações sobre que unidades vão ser mais afetadas pela redução de postos de trabalho, embora, em comunicado citado pela agência de notícias, a fabricante tenha dito que vai tentar reduzir o número de funcionários, tanto quanto possível, através de soluções voluntárias. Entre os planos da Ford, estará ainda a descontinuação dos modelos menos rentáveis e uma revisão da joint venture vigente no mercado russo.
Steven Armstrong, líder da Ford, numa entrevista citada pela Bloomberg, assumiu que a empresa está a ponderar “fazer uma mudança radical no desempenho do negócio”. “Vai ter um impacto significativo por toda a região. Vamos estar a olhar para todas as opções”, incluindo o encerramento de unidades.
Esta decisão da Ford surge como mais um sinal da pressão que as construtoras automóveis têm vindo a sofrer devido às mudanças tecnológicas, alterações ao nível da regulação ambiental e tensões comerciais, nomeadamente entre os Estados Unidos e a China. Ainda esta quinta-feira foi noticiado que na China, segunda maior economia do mundo, as vendas de automóveis caíram 5,8% em 2018, para 22,35 milhões de veículos, no primeiro declínio anual desde 1990.
No ano passado, a fabricante começou a implementar um plano de reestruturação, avaliada em 11 mil milhões de dólares (mais de 9,7 mil milhões de euros), que abrange tanto a Europa como a Ásia – duas regiões que passaram a ter prejuízos devido aos custos que tiveram de fazer face para poderem apostar em veículos elétricos e carros autónomos.
A divisão europeia da Ford, escreve a Bloomberg, registou perdas de 245 milhões de dólares (mais de 213 milhões de euros) no terceiro trimestre de 2018.
Jaguar corta na força de trabalho
A Jaguar Land Rover, construtora automóvel britânica, deverá anunciar esta quinta-feira, 10 de janeiro, que vai reduzir a sua força de trabalho em cerca de cinco mil pessoas no Reino Unido, de acordo com a imprensa britânica.
Esta decisão enquadra-se no âmbito de um plano de corte de custos, avaliado em 2,5 mil milhões de libras (mais de 2,7 mil milhões de euros no câmbio atual), isto numa altura em que a empresa atravessa aquilo que alguns especialistas estão a apelidar de “tempestade perfeita”, escreve a BBC.
Esta “tempestade” é sinónimo da quebra de vendas para o mercado chinês, bem como a diminuição da procura por carros a diesel, dos receios do mercado em torno da competitividade das empresas britânicas após a saída do Reino Unido da União Europeia, agendado para 29 de março deste ano.
(Notícia atualizada pela última vez às 11:22)
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