//Grupos hoteleiros entram no negócio do alojamento local

Grupos hoteleiros entram no negócio do alojamento local

O alojamento local deixou de ser apanágio de pequenos proprietários. O crescimento exponencial deste produto turístico não passou ao lado dos grupos hoteleiros. E, diz o ditado, se não os podes vencer, junta-te a eles. A Marriott, a maior cadeia hoteleira do mundo, acaba de lançar o projeto Hostmaker em Lisboa e está a avaliar expandir a oferta a outras cidades e regiões do país. O grupo de origem francesa Accor explora atualmente um portfólio de mais de 10 mil imóveis de luxo no mundo, alguns dos quais em Portugal.

E os hoteleiros nacionais começam também agora a despertar para este nicho de mercado. O grupo Mystic Invest, do empresário Mário Ferreira, adquiriu dois edifícios no centro histórico do Porto, por um valor que não quis revelar, e está a reabilitá-los para habitação. Como adiantou, os imóveis irão albergar onze apartamentos, dos quais cinco serão destinados a alojamento local e os restantes serão arrendados ou vendidos. Este é o primeiro investimento em alojamento local de Mário Ferreira, que quis “diversificar a carteira de projetos”, centrada nos cruzeiros e na hotelaria tradicional. Os imóveis, cuja reabilitação ascenderá a um milhão de euros (o valor da aquisição foi de “largas centenas de milhar”), estarão concluídos no próximo verão.

Já a Vila Galé está apostada num conceito distinto. O grupo da família Rebelo de Almeida decidiu incluir uma componente de imobiliário turístico no projeto do Vila Galé Sintra – Resort Hotel, em operação desde abril passado. Segundo Gonçalo Rebelo de Almeida, estão neste momento 48 apartamentos de tipologias T2 e T3 em comercialização, sendo que “a grande vantagem e fator de diferenciação é que os proprietários poderão, mediante um valor adicional, usufruir das facilidade da unidade hoteleira de cinco estrelas”.

O alojamento local não está só a abrir o apetite dos grupos da hotelaria. Paulo Antunes, presidente da empresa que detém os armazéns Marques Soares, está a reabilitar três edifícios – dois no centro do Porto e um em Braga – e a convertê-los em apartamentos, com o objetivo de os colocar quer no mercado do alojamento local, quer do arrendamento. Sem querer adiantar valores de investimento, Paulo Antunes sublinhou que são 40 apartamentos, que já estão em construção, e que estarão disponíveis dentro de dois anos.

Luxo e design
O grupo Accor, que entrou neste negócio através da aquisição, em 2016, da Onefinestay, disponibiliza atualmente 14 moradias em Portugal, a grande maioria na região de Lisboa. A plataforma está centrada na oferta de imóveis de luxo e garante um serviço idêntico ao de um hotel de cinco estrelas. Os hóspedes podem ainda solicitar serviços extra, como transportes, reserva de restaurantes, cozinheiro privado, entre outros. A Onefinestay assume-se como líder mundial em arrendamento de imóveis de luxo, depois de ter integrado as operadoras Travel Keys e Squarebreak, com uma oferta que ultrapassa as 10 mil casas em mais de 180 destinos nos seis continentes.

A Marriot apostou recentemente neste mercado e focou-se numa oferta selecionada com base no design, funcionalidade e localização, com preços mais ajustados ao conceito de alojamento local. Inês Nobre, diretora geral da Hostmaker em Portugal, adianta que existem, neste momento, 36 propriedades em Lisboa inseridas na plataforma Tribute Portfolio Homes. A operação portuguesa, que conta um mês de atividade, é um “retumbante sucesso” e daí estarem “a avaliar a possibilidade de lançar a Hostmaker noutras cidades/regiões de Portugal”. A estratégia de expansão tem em consideração o “stock, procura e rentabilidade”.

Para Inês Nobre, a Hostmaker é a “companhia ideal para liderar a profissionalização do setor” do alojamento local em Portugal. “A nossa estrutura internacional e equipas especializadas em tech e hotelaria permitem-nos inovar em escala”.

O InterContinental Hotels Group opera no mercado dos apartamentos turísticos com as marcas Staybridge Suites e Candlewood Suites. São imóveis destinados a estadias de uma semana ou mais longas, sejam em férias ou em trabalho, que se podem encontrar nos Estados Unidos, Reino Unido ou Canadá. Neste momento, o grupo ainda não marca presença em Portugal com estes conceitos.

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