Desde esta quarta-feira, 1 de julho, a oferta de autocarros na AML – Área Metropolitana de Lisboa está em 90%. Mas perante a contestação dos passageiros e dos partidos mais à esquerda no Parlamento, a AML admite que possam ser disponibilizadas todas as carreiras nos níveis pré-pandemia mediante “situações justificações”.
Em declarações ao Dinheiro Vivo, o primeiro-secretário da AML, Carlos Humberto, assinala ainda que a oferta de autocarros intermunicipais para Cascais já está nos 100% desde esta quarta-feira, em resposta às declarações do presidente daquele município. Carlos Carreiras ameaçou fechar a vila cascalense aos autocarros vindos de outros municípios a partir de segunda-feira.
“Estamos disponíveis para fazermos uma oferta de 100% ou até além disso em situações que sejam justificáveis. Isso depende de carreiras num determinado horário que ultrapassem o limite da lotação”, justifica o primeiro-secretário da AML. Com o orçamento suplementar, a AML vai receber mais de 65 milhões de euros para as operadoras privadas aumentarem o número de viagens.
O responsável lembra que para se retomar a oferta total de autocarros na Grande Lisboa “é necessário compensar as transportadoras” privadas, que apresentam níveis de procura, “em média, entre 40% e 50%”.
Apesar daquela média, Carlos Humberto reconhece que “numa ou outra” viagem esteja a ser ultrapassada a lotação dos dois terços dos ocupantes: “há carreiras que levam gente em número suficiente para que as pessoas que lá vão dentro não se sintam seguras”.
Tal como no comboio, a lotação dos autocarros urbanos é contabilizada com o número de passageiros que viajam sentados e os que viajam em pé. Para efeitos legais, em autocarros com menos lugares sentados, a lotação fica abaixo dois terços mesmo que todos os ocupantes utilizem os bancos.
Autocarros para Cascais a 100%
O primeiro-secretário da AML também falou, de forma indireta, sobre a ameaça do presidente da câmara de Cascais, Carlos Carreiras, de impedir a entrada na vila a autocarros provenientes de outros municípios.
“A oferta nas carreiras intermunicipais para Cascais está a 100% a partir de hoje, 1 de julho. O presidente da Câmara de Cascais escreveu o artigo antes de a oferta subir para 100%.”
Num artigo de opinião publicado esta quarta-feira, Carlos Carreiras deixou esta ameaça: “Caso a AML não apresente uma solução efetiva até ao final desta semana, na próxima segunda-feira, todas as rotas intermunicipais serão paradas à entrada de Cascais. Os passageiros farão testes de temperatura e farão, depois disso, transbordo para rotas municipais”.
O Dinheiro Vivo tentou obter um comentário de Carlos Carreiras às declarações de Carlos Humberto mas não obteve qualquer resposta.
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