“Vão aparecer mais empresas em Portugal, mas acima de tudo vai ser um centro de captação de talento europeu e latino-americano” – a convicção é do co-fundador e CEO da fintech portuguesa FeedZai, Nuno Sebastião, um dos portugueses que na tarde desta quinta-feira partilharam as suas experiências além-fronteiras na LACS, em Lisboa.
A startup, uma das mais reconhecidas internacionalmente, mantém sede em Coimbra e dedica-se a alimentar sistemas de inteligência artificial para prevenir fraudes no setor financeiro. “Há casos de muitos brasileiros que querem trabalhar na Europa, têm passaportes portugueses e vêm para cá. Diria que temos já duas dezenas deles na empresa”, disse na segunda edição das Conversas com a Diáspora, o evento de “aquecimento” para o Encontro Anual da Conselho da Diáspora Portuguesa, que decorre amanhã.
No mesmo painel, intitulado “Empreender e arriscar para o sucesso”, o lusodescendente John Melo, CEO da Amyris Biotechnologies, graceja: “Em Portugal é pecado sonhar”. Nascido nos Açores, mas a viver nos Estados Unidos desde 1973, diz que “o país está melhor e, em comparação ao resto da Europa, é um bom lugar para se ser empreendedor”.
John Melo recorda que, há dois anos, a empresa de que é presidente executivo (especializada no desenvolvimento de fontes de energias alternativas ao petróleo) estabeleceu uma parceria com a Universidade Católica Portuguesa para a criação de um hub de biotecnologia no Porto. “É um investimento de cerca de 50 milhões de dólares e talvez venha a investir mais uns 80 ou 100 milhões”, anuncia.
“Portugal é um lugar bom para sediar um negócio tecnológico”, afirma o português destacado no mundo, sublinhando que, “nos Estados Unidos, sobretudo em Silicon Valley, está a tornar-se difícil ter acesso ao mesmo talento que existe na Europa”. Mas, é peremptório: “Não estou pronto para investir numa empresa criada e vendida em Portugal”.
Já astrobióloga Zita Martins, que optou pela emigração em 2002, congratula-se pela igualdade de género na ciência em Portugal. “Cerca de 50% de todos os licenciados na área de ciências no país são mulheres – um caso de sucesso. O mesmo não acontece noutros países”, frisou a cientista, envolvida numa futura missão espacial para detetar a existência de vida em Marte.
Como habitualmente, o encontro – que vai na sexta edição – contará, na abertura, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que soma o cargo de vice-presidente honorário do Conselho da Diáspora Portuguesa. Ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente honorário deste organismo, cabe encerrar o evento.
Um dos painéis vai abordar o tema “Como potenciar e projetar o talento português em Portugal”. O segundo painel dedicar-se-á às “Vantagens do contexto: como pode Portugal reforçar a sua competitividade”.
Criado em 2012, então com 24 membros, o Conselho da Diáspora Portuguesa integra hoje 95 conselheiros, residentes em 27 países, num total de 47 cidades, a maioria nos Estados Unidos e Canadá.
*Notícia atualizada às 20:10 com mais informação.
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