Face às críticas feitas esta segunda-feira em uníssono pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), a Associação Portuguesa de Empresas Petroliferas (APETRO) e pela Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP) ao plano do governo para reduzir as emissões poluentes, por ser “demasiado ambicioso”, “romântico” e “irrealista”, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, defendeu a sua “dama” dizendo que “quem acha que a ambição é irrealista pensa mal e não leu os documentos” do PNEC2030.
“Não só é uma perspetiva ambiciosa, como é necessária. Temos de chegar a 2030 para reduzir as emissões em 50% e ter 80% da eletricidade que vamos consumir proveniente de fontes renováveis. E nunca ouvi ninguém a dizer que é ambição a mais ter um terço da mobilidade elétrica nos ligeiros de passageiros até ao final da próxima década. Na nossa opinião o caminho deve ser este”, disse o ministro aos jornalista, quando confrontados com os ataques das empresas, das petrolíferas e do setor automóvel.
No painel anterior à intervenção do ministro, empresas, petrolíferas e setor automóvel tinham criticado a aposta do governo numa única tecnologia – a mobilidade elétrica – e frisado a falta de pontos de carregamento elétricos para os 35% de veículos elétricos que são esperados que circulem nas estradas portuguesas em 2030.
O ministro concordou que “a rede de carregamento de veículos elétricos tem de crescer significativamente nos próximos tempos” e anunciou mesmo a “instalação de mais 100 postos de carregamento rápidos” na rede Mobi.E, quando hoje são apenas 50/55. “Até ao final deste ano toda a rede piloto estará concluída nos carregamentos lentos e a partir daí podemos lançar concursos para a concessão dessa rede. A rede tem de crescer para satisfazer uma procura que será muito grande daqui a 10 anos”, disse Matos Fernandes.
Já o presidente da APETRO, António Comprido, avançou que é normal que haja visões diferentes, com “questões políticas envolvidas” que levam a diferentes posturas. “Foram levantadas questões sobre o PNEC2030 e posta em causa a execução de algumas metas, à velocidade proposta. Mas acima de tudo não gostamos é da imposição de soluções tecnológicas. Não se deve dizer, vamos todos para a tecnologia A, B ou C”, disse o responsável, referindo-se à mobilidade elétrica, que o governo escolheu como principal aposta para o futuro. “Queremos ser parte da solução e não que nos seja imposta uma solução”, disse o representante das petrolíferas.
Apesar de sublinhar que Portugal foi o primeiro país a assumir o compromisso de chegar à neutralidade carbónica em 2050, o ministro reconheceu que as metas feitas a 30 anos “são para falhar”. Ou seja, o governo prevê que Portugal chegue a 2030 com menos 50% de emissões poluentes do que em 2005, a 2040 com menos 75% e a 2050 com menos 85%. “Neutralidade carbónica não quer dizer emissões zero. Mas sim passar de 68 megatoneladas de CO2 que emitimos em 2018 para 13 megatoneladas em 2050”.
“Pensam mal aqueles que acham que para Portugal ser neutro em carbono em 2030 só é preciso fechar meia dúzia de chaminés. Portugal só pode ser neutro em 2050 e para isso é preciso substituir mais de quatro milhões de veículos que andam na estrada, é preciso que todos os edifícios sejam neutros do ponto de vista das emissões, e que 100% da eletricidade seja de fonte renovável. Ou seja, tínhamos de até 2030 quadruplicar a dimensão da capacidade renovável”, explicou Matos Fernandes, confirmando o investimento que está a ser feito também na ferrovia.
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