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É cada vez menos provável que encontre um camião ou um autocarro parado no meio da estrada. A culpa é da tecnologia desenvolvida pela Stratio. A empresa de Coimbra utiliza os sensores instalados nos veículos pesados para prever as idas à oficina e gerir a frota sem problemas. Além de poupar dinheiro, a solução também baixa a poluição.
“Os veículos vão sempre avariar mas a nossa plataforma consegue ajudar as equipas de manutenção e os gestores de frota a prever essas interrupções. Em vez de um camião ou um autocarro ficar parado na estrada, conseguimos antecipar muitas das avarias e planear a intervenção do veículo quando este está imobilizado, podendo enviar-se um carro de reserva para essa operação”, explica ao Dinheiro Vivo o vice-presidente da Stratio, Miguel Franco.
O trabalho da empresa começou em 2016, um ano depois de a ideia ter surgido. Em 2015, os fundadores, Rui Sales e Ricardo Margalho, estavam a apanhar um autocarro a caminho do aeroporto. Ambos iam apresentar um projeto a uma multinacional que poderia transformar as suas vidas. À conta de uma avaria, Rui e Ricardo perderam o voo e a oportunidade.
Os primeiros anos da plataforma portuguesa, à conta desse episódio, foram mais focados na manutenção de autocarros. Com a chegada da pandemia, no ano passado, os camiões ganharam maior protagonismo, mas sem tirar tração aos pesados de passageiros.
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“No primeiro confinamento, o transporte de carga não diminuiu e até aumentou a atividade, com os exemplos das idas loucas ao supermercado e aos postos de combustíveis; no transporte de passageiros, houve o abrandamento do setor do turismo. Por isso, pensámos que seria importante olhar para este setor com ainda mais atenção e ajudar as empresas a chegarem do ponto A ou ponto B de uma forma mais eficaz e com menos disrupções.”
A aposta trouxe novos “pesos pesados” para o portefólio da Stratio, como a Ford Trucks e a DAF, que juntaram-se a fabricantes de pesados como a CaetanoBus e a Kamaz.
A solução interessa a estes clientes porque “querem evitar avarias durante o período da garantia”. Além da despesa acrescida com a manutenção, uma avaria impede que a mercadoria chegue no prazo previsto e ainda desgasta a reputação da marca.
Quanto mais modernos forem os veículos, maior será o número de sensores e mais eficaz será o trabalho da empresa de Coimbra. Mesmo assim, a solução pode ser incorporada em veículos fabricados a partir do início dos anos 2000. Por exemplo, num pesado da norma de emissões Euro2, “já se consegue aceder a alguma informação sobre o motor e problemas com perdas de óleo.
Com muitos ou poucos quilómetros, a Stratio recolhe toda a informação dos sensores de origem dos veículos. A tecnológica trabalha com qualquer fabricante de pesados e qualquer combustível e energia. Toda a solução é desenvolvida por uma equipa de 50 pessoas, que inclui engenheiros automóveis, um departamento de investigação e desenvolvimento e a equipa de software para desenvolvimento da plataforma de inteligência artificial.
“Normalmente, recolhemos toda a informação dos sensores que já vêm de origem nos veículos, que são centenas. Com esses dados e o recurso a algoritmos de inteligência artificial, conseguimos trabalhar para automatizar os alertas de manutenção preditivos.”
A Stratio conta atualmente com clientes em 16 países, estando presente em quatro continentes. Numa altura em Europa, Estados Unidos e Ásia estão focados em passarem para meios de transporte menos poluentes, a empresa desenvolveu ferramentas para avaliar o estado de carga das baterias e ainda prever o seu desgaste.
Desenvolveu ainda uma ferramenta de condução ecológica para os motoristas pouparem combustível e desgaste das peças. Por exemplo, a estimativa de vida útil das pastilhas de travão varia instantaneamente conforme a condução.
Até final do ano, a tecnológica vai aumentar a equipa em Portugal, com vagas em áreas como data science, computer science, engenharia automóvel e apoio aos clientes. Apesar de ser cada vez mais internacional, a Stratio vai manter a sede na cidade do Mondego.
“Existem algumas empresas portuguesas de referência na área tecnológica que escolheram manter a sede em Portugal, não vemos nenhuma limitação ou razão para não crescermos, e ajudarmos Portugal, que é o nosso país, a crescer. No mundo de hoje e na nossa área é quase irrelevante a localização, as nossas equipas têm estado a trabalhar em formato totalmente remoto desde o início de 2020.”
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