A Vodafone Espanha comunicou aos representantes dos trabalhadores a abertura de um processo de despedimento coletivo que afetará um máximo de 1.200 trabalhadores, cerca de 25% da força de trabalho da operadora naquele país, avança o El País, esta quinta-feira.
O período de consultas vai começar no final de janeiro e deve prolongar-se durante um mês.
A medida já tinha sido avançada pelo jornal espanhol em novembro do ano passado, justificada na altura com a queda das receitas motivada pela contínua redução de preços dos novos pacotes de serviços – fixo, móvel, internet e televisão – de baixo custo.
“No contexto atual do mercado, a procura de serviços tem crescido de forma exponencial. Mas, cerca de 50% das vendas brutas estão associadas a ofertas de baixo e médio custo, o que obriga a Vodafone a ter uma estrutura de custos preparada para competir com sucesso em todos os segmentos”, conta a operadora em comunicado.
Com clientes cada vez mas exigentes, a Vodafone aponta a necessidade de “um modelo organizativo mais simplificado e que reforce a coordenação e as sinergias entre equipas”.
A empresa de telecomunicações espera chegar a um acordo com os sindicatos para que a medida seja o menos traumática possível. Os primeiros despedimentos devem ocorrer em finais de fevereiro e início de março.
A decisão surge numa altura em que a operadora sofre com uma guerra comercial desencadeada pelas suas duas rivais em Espanha, a Movistar e a Orange, devido à decisão de não adquirir os conteúdos futebolísticos – Partidazo e Liga dos Campeões – por falta de rentabilidade. A estratégia levou a uma fuga de clientes dos pacotes de banda larga, móvel e televisão.
Nos três primeiros meses de 2018, a empresa de telecomunicações perdeu 361 mil linhas de telefone móvel, 134 mil clientes de banda larga e 108 mil de pacotes de televisão.
Esta não é a primeira vez que a Vodafone inicia processos de despedimento coletivos. Em fevereiro de 2013, com a crise foram afetados 900 trabalhadores, de um total de 4.300, e em outubro de 2015, a integração da Ono levou a 1.057 despedimentos, lembra o Expansión.
“O processo que arranca hoje pretende reverter a evolução negativa do negócio, reforçar a sua sustentabilidade, proteger a capacidade de investimento e desenhar uma organização mais competitiva e melhor adaptada para responder às necessidades dos clientes”, destaca a operadora.
Além de Espanha, a Vodafone anunciou também que ia reduzir custos em Itália, de acordo com a Reuters. Ainda não há indicações sobre se alguma destas medidas irá afetar Portugal. Contactada sobre o assunto, fonte oficial da Vodafone Portugal afirmou que “cada operação do Grupo Vodafone tem os seus próprios planos e a sua estratégia e, por isso, a Vodafone Portugal não comenta temas da esfera da Vodafone Espanha”.
(Notícia atualizada pela última vez às 11:43 com as declarações da Vodafone Portugal)
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